O começo é o fim…

O começo é o fim…

“Nada se perde, tudo se transforma”.  Você com certeza já escutou essa frase, mas já parou para pensar nela e em seu significado?

Você sabia que o nosso mundo funciona ciclicamente? Todos os processos naturais estão interligados e integrados, nada é realizado sem um propósito. Todos os ecossistemas se autoalimentam e cooperam entre si. A economia circular tem como inspiração a Terra, porém, sair de um sistema de produção linear para o sistema circular não é nada fácil.

 A economia de ciclo é uma alternativa para os materiais que antes considerados rejeitos por uma indústria passam a ser recursos para outra. Assim, todo produto é pensado em um ciclo de vida mais longo e ecológico, para quando sua vida útil acabar ele ser desmontado e suas peças reutilizadas, fazendo com que o ‘descarte’ seja retirado do ciclo.

Entretanto a economia circular não consiste apenas na reutilização desses materiais, mas também em um estilo de vida mais sustentável, no qual você não precisa possuir o produto para ter acesso a ele, como por exemplo a Uber, 99, Arbnb, entre outros. Tais empresas fazem você ter total disponibilidade de seus produtos por um tempo determinado.

Os primeiros conceitos da economia circular foram desenvolvidos em um artigo, no ano de 1989, por um economista e um ambientalista, David W. Pearce e R. Kerry Turner respectivamente. Nele, criticam processos da economia tradicional, onde o meio ambiente é visto apenas como um depósito de lixo, diferentemente do novo modelo econômico proposto por eles, inspirado nos ciclos terrestres. 

Uma das características mais marcantes desse modelo econômico é o design sem resíduos. Como diz Guilherme Bammer, fundador da Boomera e engenheiro de materiais, “se algo não pode ser reaproveitado, nem deveria ser criado”. Quando os produtos são desenhados para permanecerem no ciclo, não viram rejeitos, logo, há menos lixo. 

Em junho de 2017 aconteceu o primeiro Fórum Mundial de Economia Circular, realizado na Finlândia. O país diminuiu 13% os impostos sobre conserto de bens de consumo, quebrando assim o paradigma dos países desenvolvidos onde comprar um produto novo é mais barato do que consertar o que estragou.

Temos como pioneira desse modelo econômico inovador no Brasil a USP (Universidade de São Paulo), a Fundação Ellen MacArthur, organização inglesa criada em 2010 para promover essa visão pelo mundo, foi quem trouxe para o país essa abordagem. Os professores da universidade fazem a interface da economia de ciclo para os alunos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou no dia 24 de setembro de 2019 que 76% das industrias no país trabalham com algum tipo de circularidade em sua produção. De acordo com Robson Braga de Andrade, presidente da CNI, as práticas mais adotadas nas indústrias brasileiras são o reuso de água, a reciclagem de materiais, e a logística reversa dos mesmos. 

De acordo com Marcelo Thomé, da Ellen MacArthur, “no Brasil, para que a lógica circular se realize será necessário maior investimento em educação e inovação. Em um primeiro momento, as empresas terão de investir, mas em uma etapa seguinte, será possível diminuir custos operacionais por meio de processos mais eficientes voltados para o reaproveitamento de resíduos e utilização de bens reciclados”.

… e o fim é o começo.

Maria Eduarda Azis
Graduanda em Engenharia Ambiental e Sanitária pela UERJ

Fontes:
http://www.fiepr.org.br/observatorios/agroalimentar/a-economia-circular-que-esta-ganhando-o-mundo-e-ja-tem-boas-iniciativas-no-brasil-1-21871-360291.shtml

https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-09/no-brasil-76-das-industrias-aplicam-economia-circular-diz-pesquisa


Share