Serviços ecossistêmicos – benefícios insubstituíveis da natureza

Serviços ecossistêmicos – benefícios insubstituíveis da natureza

Serviços ecossistêmicos são benefícios que os ecossistemas e a biodiversidade proporcionam para a humanidade, que muitas vezes seriam insubstituíveis pela tecnologia humana, ou só seriam a preços muito elevados que tornariam economicamente inviável.

Eles são geralmente classificados em três grupos: serviços de provisão, regulação e suporte. Os serviços de provisão são os benefícios mais diretos e correspondem ao que consumimos da natureza. Abastecimento de água, produção de alimentos e matérias primas (como madeira e fibras) e a lenta produção (não renovável) de carvão vegetal são inclusos nessa categoria. 

Os serviços de regulação advêm de inúmeros processos naturais envolvendo organismos e o ambiente, como a regulação do clima em escala global e local, prevenção de secas, inundações e desabamentos, polinização e dispersão de sementes, entre muitos outros. Um exemplo claro é o da mata ciliar (presente nas margens dos rios) e da vegetação nativa de encostas, que se preservadas protegem o solo da erosão e previnem enchentes e desabamentos.

Os serviços culturais incluem todas as diversas formas com que interagimos com os ecossistemas para fins estéticos, culturais e de entretenimento. São exemplos a presença de elementos naturais na cultura e na arte, o que comemos, que atividades ao ar livre praticamos e a simples admiração pela imensidão e variedade da vida que compõe o nosso planeta. Desde o prazer de contemplar uma paisagem bonita ao benefício econômico que populações locais podem ter com o ecoturismo, desfrutamos do contato com ecossistemas naturais.

Por trás de todos os serviços proporcionados estão as funções ambientais, processos ecológicos responsáveis pela própria existência dos ecossistemas e da biodiversidade. Estão inclusos processos como a ciclagem de nutrientes (que inclui a absorção destes pelas plantas e o retorno pelo solo através da decomposição realizada por microrganismos), a produção de oxigênio, formação do solo e o ciclo da água, por sua vez regulado por diversos outros elementos naturais.

Um dos benefícios mais marcantes proporcionados pelos ecossistemas é a segurança alimentar, por meio de serviços de provisão e regulação. Dentre os serviços regulatórios que contribuem para isso, temos a polinização (cuja substituição por meios artificiais seria impraticável) e o controle biológico de pragas por outros organismos. A própria existência de variabilidade genética na natureza nos dá segurança contra pragas (entre fungos, insetos, bactérias e vírus), que atacam ou se espalham mais facilmente quando os indivíduos vegetais são geneticamente parecidos. Também na agricultura, o plantio associado de árvores tem o poder de preservar a umidade dos solos e proteger contra a erosão, o que favorece a produtividade.

Outro ponto de relevância são os recursos medicinais, bioquímicos e genéticos advindos da fauna e da flora. O Brasil é um país megadiverso com enorme potencial de identificação e uso de recursos para fins medicinais, seja através da substância ativa isolada ou do consumo integral, como na forma de chás. A biodiversidade marinha também apresenta potencial biotecnológico para produção de fármacos, cosméticos e biocombustíveis.

A enorme dependência que as sociedades humanas têm dos ecossistemas naturais justifica o esforço em preservá-los e explica por que países criam legislações ambientais e mecanismos regulatórios. Seguindo leis como a Política Nacional dos Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10), um estabelecimento que conta com um Plano de Gerenciamento de Resíduos e o segue está colaborando para que resíduos perigosos não atinjam a saúde da população e a estabilidade dos ecossistemas. 

Quando um proprietário rural realiza o Cadastro Ambiental Rural (segundo o Novo Código Florestal, Lei nº 12.651/2012) e registra a manutenção de Áreas de Proteção Permanente, está contribuindo para que uma parcela dos serviços ecossistêmicos e do potencial biológico do país seja protegida e garantida para as gerações futuras.

Por último, quando um usuário de recursos hídricos submete seu empreendimento ao Licenciamento Hídrico (Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei nº 9.433/1997), está ajudando a controlar o consumo de água de uma região para que não ultrapasse a capacidade do ambiente (que depende de seus múltiplos usos e da proteção da regulação natural do ciclo hídrico).

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